Dr. Márcio Leite esclarece:
Nos últimos anos, é comum que sindicatos de trabalhadores rurais ofereçam aos agricultores uma espécie de “assessoria jurídica” para ajudá-los a conseguir a aposentadoria rural. Embora a intenção aparente seja oferecer apoio, essa prática muitas vezes esconde problemas sérios que prejudicam diretamente quem deveria ser protegido.
Muitos desses trabalhadores acabam sofrendo descontos mensais indevidos em seus benefícios previdenciários, valores que são repassados a essas entidades sindicais. Além disso, contratos pouco transparentes são apresentados e assinados por agricultores que, na maioria das vezes, não compreendem plenamente o alcance do que estão concordando. Essa falta de clareza gera uma verdadeira exploração da vulnerabilidade desses segurados.
Outro ponto grave é a captação de clientes por advogados diretamente nos sindicatos, com a anuência dessas entidades. Tal prática configura uma grave infração ética, pois o advogado deve atuar com independência e transparência, sem utilizar-se de intermediários ou situações que comprometam a livre escolha do cliente.
A advocacia tem como fundamento proteger os direitos dos cidadãos, especialmente daqueles em situação de maior fragilidade social. Quando essa proteção se transforma em oportunidade para práticas duvidosas, a confiança no sistema jurídico é abalada, e o direito deixa de cumprir sua função social.Portanto, é fundamental que trabalhadores rurais estejam atentos a essas situações e busquem sempre informações claras e orientações confiáveis. Da mesma forma, cabe à classe jurídica e aos órgãos de fiscalização garantir que a ética profissional seja respeitada, preservando a dignidade e o acesso justo à aposentadoria.
Aposentadoria rural é um direito conquistado com muito esforço. Não pode ser tratada como moeda de troca ou fonte de ganhos escusos. Defender uma advocacia ética e transparente é, acima de tudo, defender a justiça social.
Sobre o autor
Márcio Rodrigues Leite é advogado com atuação voltada ao Direito Público, aos Direitos Humanos e às políticas sociais no semiárido brasileiro. É especialista em Direito Público pela Universidade Regional do Cariri (URCA) e mestre em Planejamento e Dinâmicas Territoriais no Semiárido pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Desenvolve reflexões críticas sobre cidadania, justiça social e o papel das instituições públicas. Atua também como professor universitário e é colaborador em debates jurídicos e políticos que envolvem ética, acesso à justiça e transformação social.
DA REDAÇÃO
Com informações da Agência de Notícias
"Faz Tua Obra Acontecer Senhor.
Louvado Seja Deus!"






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