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No Sertão onde o tempo tem outro compasso e os ventos contam histórias, uma mulher atravessa os séculos com a leveza de quem viveu tudo e, ainda assim, guarda nos olhos o brilho das coisas simples. No dia 23 de junho de 2025, Araripina parou. E não foi por acaso. Foi por Dona Sinhá.
Joana Arraes Lage. Para muitos, apenas Dona Sinhá. Para quem a conhece, uma força doce, uma raiz firme no chão árido do Araripe. Cem anos de existência que não cabem numa linha do tempo, mas se espalham em memórias, gestos e fé.
🌻 Uma vida que brotou do Sertão
Nascida em 1925, em São Gonçalo — ainda um cantinho de Ouricuri — ela cresceu vendo o mundo mudar sem deixar de ser fiel à sua essência. Não teve escola, mas construiu uma biblioteca na alma. Foi amiga dos livros, companheira da poesia, e com isso criou um mundo dentro de si.
Criou filhos com sabedoria simples, ensinou que gentileza é oração, que silêncio também é resposta, e que fé se planta com as mãos, no chão da vida.
❤️ Amor nascido ao som de sanfonaNa noite de São João, o destino lhe trouxe um forasteiro de Salvador: Arnaldo Lage, o Nadú. Ela, moça bonita de olhos curiosos. Ele, encantado pela festa e pelo brilho dela. Quando o céu se encheu de balões e a sanfona tocou “Olha pro céu, meu amor…”, dois corações se encontraram.
Casaram-se em janeiro de 1954, e o que nasceu ali foi muito mais do que uma família: foi um legado. Seis filhos, quinze netos, dezesseis bisnetos e uma história costurada entre cidades, sonhos e coragem.Foram da capital paulista ao Piauí, até voltarem, em 1975, para onde o coração sempre esteve: Araripina. Fundaram a Farmácia Santa Helena, um ponto de cuidado e acolhimento, onde a receita era também afeto.
🙏 Fé que atravessa gerações
Dona Sinhá não se afastou da fé — ao contrário, se entrelaçou a ela. Foi zeladora do Sacratíssimo Coração de Jesus, participou de grupos de oração e guardou um amor inabalável por Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade. Sua devoção era tão comovente que, no seu centenário, o padre Ivan Cândido veio de Parnamirim especialmente para celebrar uma missa em sua homenagem.
🎉 100 anos de uma história que pulsaA comemoração, é claro, foi no melhor estilo que Dona Sinhá conhece: no embalo do forró, na mesa farta, no terreiro da alegria. Amigos, vizinhos, filhos e netos — todos reunidos ao som das memórias. Vieram também recados de longe, de outras cidades onde sua luz brilhou e deixou saudade.
Ela sorriu. Olhou o céu, como sempre faz. Lembrou de Frei Damião, que profetizou: “Aqui será uma grande cidade.” E ela acredita. Porque viu o Sertão florescer — com suor, com esperança, com fé.
🌹 Mais que uma data, um legado
Dona Sinhá não é só uma senhora centenária. Ela é o testemunho vivo de que viver com amor vale a pena. Que resistir com doçura é possível. Que o Sertão é berço de mulheres gigantes.
E que os cem anos dela são só o começo de uma história que vai continuar sendo contada — nas conversas da varanda, nas ladainhas, nas festas juninas e nas futuras gerações que carregarão seu nome com orgulho.
DA REDAÇÃO
Por José Portnalli Alencar
Com informações da Agência de Notícias | Blog do Vinícius de Santana, celebrando o aniversário de Dona Sinhá, porque algumas vidas são tão preciosas que merecem ser contadas com poesia.
"Faz Tua Obra Acontecer Senhor. Louvado Seja Deus"!







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