O PODER DA CANETADA É USADO NA POLÍTICA PARA ATRAIR ALIADOS E FORTALECER O GRUPO, MAS, NEM SEMPRE GARANTE ÊXITO NA ELEIÇÃO
No tabuleiro político de Araripina, uma peça segue sendo decisiva para atrair aliados, consolidar grupos e moldar os rumos das eleições: "o poder da caneta". Não é novidade para ninguém que a capacidade de nomear, exonerar, chamar para perto e afastar, conforme a conveniência do momento, tem sido uma moeda poderosa nas mãos de quem ocupa o comando do Executivo Municipal.
Na atual gestão do prefeito Evilásio Mateus (PDT), essa prática voltou ao centro das discussões. Nos últimos meses, o que se viu foi um movimento intenso de migração política, especialmente de nomes de destaque ligados ao ex-prefeito Raimundo Pimentel (Sem Partido), que agora se alinham ao governo Evilásio.
Entre os mais simbólicos está Aluísio Coelho, candidato a vice-prefeito no palanque derrotado nas últimas eleições ao lado de Camila Modesto. Hoje, Aluísio engrossa o coro dos que declararam apoio ao atual prefeito. Na mesma direção seguiram os vereadores Elias de Chicão, João Erlan e Rodrigo Cobrinha, que passaram a integrar a bancada de situação na Câmara Municipal.E não para por aí. Embora ainda não tenham oficializado publicamente, o empresário Tião do Gesso e sua esposa, a vereadora Ângela de Tião já vem marcando presença em agendas políticas ao lado de Evilásio, sinalizando que o movimento de ampliação da base governista está longe de terminar.A CANETADA QUE CONQUISTA, MAS TAMBÉM FRUSTRA
Em conversas nos últimos dias com membros tanto da situação quanto da oposição, uma narrativa se repete: o poder da caneta sempre foi usado como ferramenta estratégica para fortalecer grupos políticos em Araripina, independentemente de qual prefeito estivesse no cargo.
Contudo, também é consenso que essa mesma caneta que atrai novos aliados pode deixar para trás aqueles que foram fiéis desde a primeira hora. Muitos apoiadores da atual gestão relatam sentir-se preteridos em nome de acordos recentes, composições de ocasião e novos aliados que chegam ocupando espaços considerados valiosos.Esse sentimento, que não é novidade na política araripinense — mostra que, apesar da força da caneta, a conta política nem sempre fecha com justiça.
Prefeitos que antecederam Evilásio também enfrentaram problemas semelhantes: ao tentar ampliar o grupo, acabaram enfraquecendo relações antigas e frustrando quem esteve presente quando o projeto ainda era apenas promessa.
UM JOGO DE INTERESSES QUE NÃO MUDA
A verdade é que a política local segue repetindo suas fórmulas clássicas. Quem está no poder usa a caneta como instrumento de sobrevivência e expansão. A rotatividade de apoios, discursos e alianças se renova, mas o roteiro permanece o mesmo.
Para os observadores mais atentos, o atual cenário de Araripina deixa claro que o poder da canetada continua sendo um dos elementos mais influentes na construção de força política, ainda que, muitas vezes, à custa da lealdade de quem acreditou desde o início.Enquanto isso, a população acompanha muitas vezes perplexa, outras vezes já acostumada, o vai e vem de lideranças. No final, a pergunta permanece: até que ponto fortalecer o grupo justifica abandonar quem ajudou a construí-lo?
Casa de Abelha News segue atento.












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