COM INGRESSOS ENTRE R$ 140 E R$ 150, O "SÃO JOÃO BOM DE VERDADE" DE ARARIPINA SE TORNOU UMA FESTA PRIVADA E ELITIZADA
O tradicional São João de Araripina acabou? Calma! Não estamos falando do fim da festa, mas do fim de uma tradição que, para muitos araripinenses, fazia do São João uma celebração verdadeiramente popular.
O que se ouve nas ruas, nas redes sociais e nas conversas entre comerciantes e frequentadores é uma reclamação cada vez mais forte: o São João de Araripina estaria perdendo sua essência popular para se transformar em um grande negócio privado.
Durante décadas, a festa foi construída pelo povo. Barraqueiros locais, comerciantes da cidade, ambulantes e famílias inteiras encontravam no período junino uma oportunidade de complementar a renda e movimentar a economia local. Hoje, segundo relatos de comerciantes, a realidade é bem diferente.
Com a entrada de uma empresa privada na organização comercial do evento, muitos dos espaços que tradicionalmente eram ocupados por trabalhadores da cidade passaram a ter custos considerados elevados. A principal reclamação é que o pequeno comerciante local estaria sendo sufocado por taxas, exigências e investimentos que dificultam a participação de quem sempre ajudou a construir a festa.Mas as críticas não param por aí
Segundo relatos de barraqueiros, além dos altos valores cobrados pelos espaços, a empresa responsável pela exploração comercial do evento também teria exigido que as bebidas comercializadas fossem adquiridas através de fornecedores vinculados à própria organização, com preços previamente estabelecidos.
Na prática, isso teria aumentado os custos dos comerciantes, que acabaram repassando os reajustes para os consumidores. O resultado foi sentido diretamente no bolso da população, com preços mais altos para bebidas e outros produtos comercializados dentro do parque de eventos.
Enquanto isso, quem deseja acompanhar os shows em áreas privilegiadas precisa desembolsar entre R$ 140 e R$ 150 por noite para acessar os camarotes privados. Já servidores municipais contam com desconto de 50% nos ingressos, situação que também tem gerado debates entre moradores.Para muitos araripinenses, criou-se uma divisão dentro da própria festa: de um lado, quem pode pagar pelos espaços exclusivos; do outro, o povo que assiste aos shows nas áreas comuns e sente cada vez mais dificuldade para consumir e participar do evento.
Nas rodas de conversa, a crítica é direta: o São João que nasceu como uma festa popular estaria se tornando um evento cada vez mais elitizado, voltado para quem possui maior poder aquisitivo, para frequentadores de áreas VIP e para grupos privilegiados ligados à estrutura de poder.O verdadeiro "São João Bom de Verdade" não deveria ser medido apenas pela quantidade de atrações nacionais, pelo tamanho da estrutura ou pelo faturamento gerado. Deveria ser avaliado também pela capacidade de incluir quem sempre fez parte dessa história: o pequeno comerciante, o ambulante, o trabalhador e o povo de Araripina.
Porque uma festa financiada com participação do poder público deve beneficiar toda a população, e não apenas quem pode pagar R$ 140 ou R$ 150 por uma área privilegiada.
Afinal, o "São João Bom de Verdade" é para todos ou apenas para a elite?
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